segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Estado Laico

Made in Igreja Universal

As declarações do Bispo e fundador da Igreja universal do Reino de Deus Edir Macedo pró-aborto (vídeo abaixo) são no mínimo inusitadas. O cenário evangélico brasileiro tradicionalmente se posiciona contra o aborto, em uma das raríssimas concordâncias com a Igreja Católica. O Bispo é hoje, não apenas uma voz discordante entre seus colegas, mas um articulador político hábil de olho nas eleições 2010.

Se considerarmos apenas o panorama religioso, muitos militantes pró-aborto poderiam ver no Bispo Macedo um aliado, mas um olhar mais abrangente pode mostrar que a posição adotada pelo pastor carece de respaldo.

Ouvir um líder religioso defendendo uma posição moral sobre um assunto polêmico não é novo, mas isso não torna o fundador da Igreja Universal um liberal, as aparências enganam. Fundado em 2005 o PRB – Partido Republicano Brasileiro nasceu sob as denúncias de ter conseguido as assinaturas necessárias para seu registro no TSE em templos da Universal. De fato há que nas eleições de 2002 a igreja através da sigla elegeu 21 deputados federais e 1 senador. Em sua declaração ao TSE de gastos de campanha, o Senador Marcelo Crivella pagou 158 mil reais por serviços prestados à gráfica da Igreja Universal. A ligação da IURD com a política não é obra do acaso, para muitos analistas, o PRB foi criado para ser o braço político da igreja. Graças à providência divina e aos escândalos das sanguessugas e as malas com 10 milhões de reais flagradas em um jatinho levaram o partido a míngua nas eleições de 2006.

Hoje a Igreja Universal do Reino de Deus detém um conglomerado de comunicação. Edir Macedo possui concessões de mídia além da geradora da Rede Record 23, emissoras de TV e 40 de rádio além da Rede Aleluia que conta com 36 emissoras. É dona de um império empresarial que inclui jornais, planos de saúde e até uma empresa de taxi aéreo, a Alliance Jet. Tudo a serviço dos planos políticos do Bispo acusado de crimes como lavagem de dinheiro, formação de quadrilha além de crime contra a fé pública.

Não há liberalismo no discurso pró-aborto de Edir Macedo, cujo argumento baseia-se em planejamento familiar. O problema do aborto, hoje no Brasil, é uma questão de saúde pública, cuja resposta está além de sua descriminalização. Engloba a qualidade sanitária do serviço público bem como sua capacidade de absorção de um número incalculável de adolescentes e mulheres que o procurarão, caso seja permitido. O discurso de Edir Macedo é oportunista. De alguém que não crê na construção de um Estado laico e democrático, mas que se esforça para que seus mais de 3,5 milhões de seguidores (IBGE 2002) se transformem em poder político, usado é claro a sua conveniência. As milhares de adolescentes que engravidam neste país não têm no Bispo da Universal um defensor, os milhares de militantes pró-aborto não têm nele um militante. O Estado vislumbrado por Macedo é laico made in IURD. Um perigo real para a nossa já sofrida democracia. Dia 3 vem aí. E que Deus nos livre dos lobos pseudo-religiosos.

Bispo Edir Macedo e seu apoio Aborto

Quebra de Sigilo Fiscal

República das Bananas

A recente quebra do sigilo fiscal de pessoas ligadas ao PSDB não é um fato isolado. A cada ciclo eleitoral somos soterrados por uma infinidade de dossiês, de documentos comprometedores, denúncias, arapomgagens e bisbilhotagens que chegam aos altos escalões do serviço público. Os ânimos acalorados, uma espécie de Tensão Pré Eleitoral parece tornar ainda mais difuso o entendimento das causas reais da ilegalidade das ações e da obscuridade das intenções. Fato agravado por ser um dos alvos da invasão fiscal, a filha do ex-governador e candidato a presidência José Serra. O que demonstra a pessoalidade e a intencionalidade do crime.

A nossa imatura democracia tupiniquim, embora contestada por republicanos mais fervorosos, de fato existe. O que pode ser visto na dificuldade enfrentada para se aprovar uma lei que garanta o “nada consta” na ficha corrida dos candidatos. Ou mesmo na tentativa de impedir a livre expressão dos humoristas nacionais sobre a nossa caricaturada política. Piada não maior do que aquilo que nos apresenta o horário político obrigatório.

Ainda vivemos na República das Bananas? O termo não poderia ser mais propício. Ainda mais tendo sido cunhado por um humorista, O. Henry (1904). Embora pejorativo por essência, a corrupção que a expressão denota não está longe dos nossos dias. No entanto devemos afirmar que a Receita Federal é uma instituição séria, mas tão seria quanto é a propriedade privada. O que vemos hoje é a fragilidade da Receita em assegurar o sigilo dos dados pessoais sobre o patrimônio. Na República das Bananas vaza-se a prova do Enem, dinheiro se esconde na cueca, e amizades com ditadores teocratas são mantidas.

A sociedade vê no Estado um executor de sua vontade devidamente parlamentada naqueles que a representam. O que vemos hoje não é isso. Ao inverso, o Estado vê na sociedade algo a ser domado, cuja vontade parecer ser sem importância, um mero capricho. Um risco se considerarmos que não estamos na América do Norte ou entre as democracias mais maduras da Europa, e sim na América Latina. Temos como vizinhos: Chaves e seu discípulo Evo Morales. A conturbada Colômbia e a sempre preocupante Argentina dos Kirchner. Resta-nos a esperança que o dia 3 próximo faça surgir no horizonte um Estado legitimamente democrata. Sem invasões ou quebras de sigilos. Há esperança, pois como diz o candidato Tiririca, pior não fica. Será?

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Frase do dia

"Temos que descobrir a linguagem da divergência"
                                                           Tony Judt

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Criatividade

Liberdade, liberdade! Abre as asas sobre nós

Espaço Samba


Imperatriz Leopoldinense – 1989
Composição: Niltinho Tristeza, Preto Jóia, Vicentinho e Juarandir


Vem ver, vem reviver comigo amor
O centenário em poesia
Nesta pátria, mãe querida
O império decadente, muito rico, incoerente
Era fidalguia
Surgem os tamborins, vem emoção
A bateria vem no pique da canção
E a nobreza enfeita o luxo do salão
Vem viver o sonho que sonhei
Ao longe faz-se ouvir
Tem verde e branco por aí
Brilhando na Sapucaí
Da guerra nunca mais
Esqueceremos do patrono, o duque imortal
A imigração floriu de cultura o Brasil
A música encanta e o povo canta assim
Pra Isabel, a heroína
Que assinou a lei divina
Negro, dançou, comemorou o fim da sina
Na noite quinze reluzente
Com a bravura, finalmente
O marechal que proclamou
Foi presidente

Liberdade, liberdade!
Abra as asas sobre nós
E que a voz da igualdade
Seja sempre a nossa voz

A Suburbana

Poesia


Vem do luar luz divina que te ilumina a face doce
Teu sorriso, das noites quentes suburbanas
Terra divertida, de gente até tarde na rua
Terra do velho e da criança, terra tua

Vem do sol a tua graça
Tua força, tua raça
Terra de carne na grelha
Dos domingos de folga, da fé e da crença

Vem da terra a tua majestade
Pois digo, não és plebéia
De minha coorte é rainha
Ao longe fui buscar-te, para sempre seres minha.