quinta-feira, 25 de novembro de 2010

terça-feira, 23 de novembro de 2010

O Combustível da violência

A garrafa Pet encontrada por policiais no Trevo das margaridas, ligação da Via Dutra com a Av Brasil, é a imagem do Rio de Janeiro desta época. Os locais escolhidos pelos criminosos para atear fogo em veículos são igualmente simbólicos. Linha vermelha, que liga o centro do Rio à Baixada, a Via Dutra, principal eixo Rio - São Paulo. Av Brasil, que é símbolo do próprio nome que carrega. Isso sem mencionar Copacabana e o Palácio das Laranjeiras, sede do Governo Estadual. A mensagem do crime é territorial, não importa se orquestrada por uma ou duas facções, se atos isolados.

Estamos vivendo o tempo em que as ferramentas da violência não são as tradicionais. Não se trata da espada, não se refere as armas de fogo, não são os mísseis ou ogivas que atormentam esta terra. É a gasolina. Quando o que é simples se torna instrumento de maldade, quando o que deveria ser usado como veículo de desenvolvimento se volta contra os próprio ser. Significa que um pouco de nossa própria humanidade já se corrompeu e se tornou em cinzas como os carros queimados nas rodovias.
As imensas vias expressas da cidade são a vitrine da perversidade, enquanto o Rio é a imagem de uma pacificação também de vitrine.
É preciso que se diga que é inviável haver um policial em cada esquina, da mesma forma que é absurdo relegarmos ao Estado o papel de deus capaz de responder todos os nossos problemas. É nisto que está o nosso dilema. Acabamos de viver oito anos de propaganda pró - Estado. Uma espécie de "pai" que faz funcionar a economia, que gera empregos, que divide a renda, que faz reforma agrária e ainda perdoa pecados.  Depois de nove ataques em 48 horas o estado é de incapacidade. O nosso, de perplexidade.
A pacificação que desejamos não começa no poder público e sim em nós. É no indivíduo pacificado interiormente e agente de influência em seu próprio mundo.

Precisamos urgentemente nos desarmar. Baixar espadas, desmuniciar mãos, recusar propinas, regeitarmos a corrupitibilidade da alma gananciosa e do jeitinho brasileiro e em fim, da gasolina.
O combustível da violência não é desconhecido.Conhecemos. suas causas, sabemos suas razões. Mas e quanto a paz? Qual é o seu combustível? O que a tornará viável? O que desarmará e regenerará a alma?
Comecemos agora a incubação de uma paz genital. Fomentemos seu crescimento em útero comunitário até que possamos vislumbrar seu nascimento em vias de fato no comportamento humano.
A quem interessar possa; isso não se faz com o fuzil.

Frase da Semana

"Claro que isso tem a ver com a reorganização do território que reconquistamos. Vamos continuar pacificando porque ainda tem comunidades que servem de fortaleza e escudo para o crime”


Sérgio Cabral - Governador do Rio ao se referir a onda de violência que acomete a cidade. Já são nove ataques em 48 horas.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Cinco arrastões em 48 horas no Rio

A recente onda de arrastões que atormentam moradores do Rio são sintomas de uma cidade doente. Patologia do descaso de anos de políticas de segurança pública voltadas para o "cartão postal" ao invés da pessoa, do morador.
É importante dizer que as UPPs são importantes a medida que resgatam a presença do Estado sobre seu próprio território. No entanto essa presença chega com, pelo menos,  quatro décadas de atraso , abrindo assim uma janela para a diversificação das atividades do crime que "organizado" vai se alastrando pela baixada e interior. A esta altura a "empresa do crime precisa encontrar outras oportunidades de emprego para sua mão de obra".
Outro fator alarmante é a invasão das milícias que já ocupam 70% das áreas pobres do Rio, indicativo que as frentes oficiais não são capazes de atingir a cidade como um todo e sim blocos que hoje se restringem ao assim chamado corredor de segurança Zona Norte - Zona Sul. Enquanto isso Campo Grande não é tratado como  um bairro, mas uma cidade do Mato Grosso do Sul. Duque de Caxias não é uma cidade do Grande Rio, mas um general do passado. Assim segue a vida na capital dos esportes.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Fita Amarela

Quando...

Quando de tudo me canso
tudo me enfada
tudo embaça
tudo descombina
tudo aborrece
tudo desapetece
tudo desqualifica
tudo enjôa 


Quando de tu me canso
tudo escurece
tudo desaparece
tudo se esvai
tudo desaba
tudo serpenteia
tudo machuca
tudo estraga


Se de tudo sobra um tasco
um pequeno pedaço
uma pequena amostra 
uma tirinha
renasces formosa


tudo cheira
tudo respira
tudo aformoseia
tudo tem graça
tudo colore
tudo realça
tudo encanta


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