Em 1970, seus mais de dez mil moradores foram removidos pelo antigo governador da Guanabara, Carlos Lacerda, para conjuntos habitacionais do subúrbio, entre eles, Vila Kennedy, Cidade de Deus e Guaporé-Quitungo. Em 1979, na administração do prefeito Marcos Tamoyo, foi inaugurado o Parque da Catacumba, que hoje é o mais importante parque de esculturas ao ar livre existente na cidade. O nome Catacumba, segundo os antigos moradores da favela, tem origem no fato daquele local ter sido utilizado no passado como cemitério indígena.Espaço dedicado ao pensamento, reflexão e humor tipicamente cariocas. Entende-se por carioca, todo aquele que adotou a cidade e o Estado do Rio e que deseja construir o futuro relacional além do cartão postal.
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
Imagem do Dia
A Favela da Catacumba.
Em 1970, seus mais de dez mil moradores foram removidos pelo antigo governador da Guanabara, Carlos Lacerda, para conjuntos habitacionais do subúrbio, entre eles, Vila Kennedy, Cidade de Deus e Guaporé-Quitungo. Em 1979, na administração do prefeito Marcos Tamoyo, foi inaugurado o Parque da Catacumba, que hoje é o mais importante parque de esculturas ao ar livre existente na cidade. O nome Catacumba, segundo os antigos moradores da favela, tem origem no fato daquele local ter sido utilizado no passado como cemitério indígena.
Em 1970, seus mais de dez mil moradores foram removidos pelo antigo governador da Guanabara, Carlos Lacerda, para conjuntos habitacionais do subúrbio, entre eles, Vila Kennedy, Cidade de Deus e Guaporé-Quitungo. Em 1979, na administração do prefeito Marcos Tamoyo, foi inaugurado o Parque da Catacumba, que hoje é o mais importante parque de esculturas ao ar livre existente na cidade. O nome Catacumba, segundo os antigos moradores da favela, tem origem no fato daquele local ter sido utilizado no passado como cemitério indígena.Prioridades
Poema
Me ame em vida, pois a morte é certa.
Me dê valor agora, depois será tarde.
Cuide de mim sempre até que eu vá.
Vida curta, vida breve.
Amanhã não, diga que eu sou importante pra você agora.
Acaricie meus cabelos
Me abrace
Aperte a minha mão
A ampulheta foi virada
Os grãos estão passando rápido demais
Faça tudo valer a pena
Me ligue fora de hora, apenas por ligar.
Caminhe comigo
Apenas fale com o olhar
Sinta o vento, ouça o mar.
O sol tá indo, e sei que vai voltar.
Zere tudo, se possível, todos os dias.
Comece a amar como se fosse a primeira vez.
Que o novo, seja novo, todos os dias.
Que cada gesto seja Sacramento
Dê as mãos, vamos cirandar?
Só pra te sentir ao meu lado.
Relaxe a fronte
Descruze os braços
Respire devagar
Tudo pode ser mais lento
Mais observável
E quando eu for, não chores
Porque vivemos tudo
Fui prioridade em vida
Fizemos o máximo
Valeu a pena.
Cleidson Pedrosa
terça-feira, 14 de setembro de 2010
Luxo no Lixo. O Sonho Latino de Riqueza
Espaço Samba
Ratos e Urubus, Larguem a Minha Fantasia (1989)
Ratos e Urubus, Larguem a Minha Fantasia (1989)
Beija Flor de Nilópolis
Composição: Betinho, Glyvaldo, Zé Maria e Osmar
Reluziu... É ouro ou lata
Formou a grande confusão
Qual areia na farofa
É o luxo e a pobreza
No meu mundo de ilusão
Formou a grande confusão
Qual areia na farofa
É o luxo e a pobreza
No meu mundo de ilusão
Xepa de lá pra cá xepei
Sou na vida um mendigo
da folia eu sou rei
Sou na vida um mendigo
da folia eu sou rei
Sai do lixo a pobreza
Euforia que consome
Se ficar o rato pega
Se cair urubu come
Euforia que consome
Se ficar o rato pega
Se cair urubu come
Vibra meu povo
Embala o corpo
A loucura é geral
Larguem minha fantasia
Que agonia... Deixem-me
Mostrar meu carnaval
Embala o corpo
A loucura é geral
Larguem minha fantasia
Que agonia... Deixem-me
Mostrar meu carnaval
Firme... Belo perfil!
Alegria e manifestação
Eis a Beija-flor tão linda
Derramando na avenida
Frutos de uma imaginação
Alegria e manifestação
Eis a Beija-flor tão linda
Derramando na avenida
Frutos de uma imaginação
Leba - laro - ô ô ô ô
Ebó lebará - laiá - laiá – ô
Ebó lebará - laiá - laiá – ô
Reluziu...
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
O Oráculo de Quintino
Todo Carioca Bebe. Todo Bebum é Vidente.
Todo carioca bebe, nem que seja água. Gelada com gás mais limão, sem gás sem limão e com gelo, ou da bica mesmo. Uoston sempre bebeu, no bar da esquina, na birosca do fim da rua, na padaria do português o sujeito bebe não importa a hora, o dia ou a cor do cabelo. Seu boteco de preferência é tão antigo quanto Quintino, fica lá na esquina da Clarimundo com qualquer coisa. Diz a dona, uma paraibana morena de braços roliços e fala imponente que o Galinho quando menino ia lá de vez em quando beberiscar um guaraná. Dona Sebastiana tem até uma foto, amarelada pelo tempo, emoldurada atrás do balcão. Jura pra todo o mundo que o moleque franzino que aparece lá é o Galinho. Quem se atreve a desdizer?
Nunca vi Uoston sóbrio, há quem diga que testemunhou tal fato. Eu não! Vejo sempre aquela figura esguia de corpo marcado pela lida, da roça nos anos passados, hoje dos bicos feitos aqui e ali. Uoston é um faz tudo. Nunca estudou nada, mas ninguém sai de sua augusta presença sem as respostas almejadas. Se precisas de um eletricista, Uoston faz! Se pedreiro, marceneiro ele sabe. Dizem a boca miúda, que seu melhor ofício é o de oráculo.
Sentado a mesa do bar de Dona Sebastiana, já regado pela cevada em um dado momento, na hora certa em que os astros convergem seu poder ou agraciado pela divina providência, as palavras certas lhe saem da boca. Um vaticínio, profecia certa e infalível. Neste momento todas as mesas se calam, a música perde o gosto, a morena rebolativa desaparece. Só se houve a voz do profeta. Ninguém sabe ao certo como acontece, sabe-se apenas que Uoston, bebum, vaticina. Dado dia o português, sujeito ganancioso, embebedou de propósito o pobre apenas pra saber o resultado antecipado do bicho. Deu em nada! Milagre é assim, não se dá por vontade ou ganância humana.
Todo bebum é profeta, acho eu. Uoston não é o único, não pode ser. Lembro da polvorosa em um domingo quando previu o resultado do jogo do Maracanã. Do dia que previu a morte do astro pop, da alta do dólar ou da queda da bolsa. Tudo prevê Uoston. Nem mesmo Dona Sebastiana ousa contrariar-lhe a palavra.
Todo o bairro o respeita, toda cevada o alimenta a Uoston só lhe pesa a vida. Triste vida de bebum quando só lhe é preciosa a vida sob a sombra da marquise de um bar qualquer. De minha varanda em tarde ensolarada pela última vez vi passar pela rua o Oráculo de Quintino. Dizem uns e comentam outros que caminhou lento ao seu assento preferido. Bebeu por horas enquanto torcia diante da TV pelo time escolhido, foi então que aconteceu. O céu enegreceu e trovejou, lâmpadas piscavam o vento soprava. Uoston com rosto sereno, mãos postas sobre a mesa, olhar fixo proclamou:
_Campeão será o Prudente, na segunda divisão o Mengão. Por fim disse ele, Dilma presidente.
Nunca mais se vendeu cevada na birosca, Dona Sebastiana fechou o bar, o português foi embora. O futebol perdeu o gosto, tristeza em polvorosa.
Nunca mais vi Uoston, tenho medo da cevada.
Sempre que vejo um bebum passo de largo, vai que profetisa o danado.
Todo carioca bebe, nem que seja água. Gelada com gás mais limão, sem gás sem limão e com gelo, ou da bica mesmo. Uoston sempre bebeu, no bar da esquina, na birosca do fim da rua, na padaria do português o sujeito bebe não importa a hora, o dia ou a cor do cabelo. Seu boteco de preferência é tão antigo quanto Quintino, fica lá na esquina da Clarimundo com qualquer coisa. Diz a dona, uma paraibana morena de braços roliços e fala imponente que o Galinho quando menino ia lá de vez em quando beberiscar um guaraná. Dona Sebastiana tem até uma foto, amarelada pelo tempo, emoldurada atrás do balcão. Jura pra todo o mundo que o moleque franzino que aparece lá é o Galinho. Quem se atreve a desdizer?
Nunca vi Uoston sóbrio, há quem diga que testemunhou tal fato. Eu não! Vejo sempre aquela figura esguia de corpo marcado pela lida, da roça nos anos passados, hoje dos bicos feitos aqui e ali. Uoston é um faz tudo. Nunca estudou nada, mas ninguém sai de sua augusta presença sem as respostas almejadas. Se precisas de um eletricista, Uoston faz! Se pedreiro, marceneiro ele sabe. Dizem a boca miúda, que seu melhor ofício é o de oráculo.
Sentado a mesa do bar de Dona Sebastiana, já regado pela cevada em um dado momento, na hora certa em que os astros convergem seu poder ou agraciado pela divina providência, as palavras certas lhe saem da boca. Um vaticínio, profecia certa e infalível. Neste momento todas as mesas se calam, a música perde o gosto, a morena rebolativa desaparece. Só se houve a voz do profeta. Ninguém sabe ao certo como acontece, sabe-se apenas que Uoston, bebum, vaticina. Dado dia o português, sujeito ganancioso, embebedou de propósito o pobre apenas pra saber o resultado antecipado do bicho. Deu em nada! Milagre é assim, não se dá por vontade ou ganância humana.
Todo bebum é profeta, acho eu. Uoston não é o único, não pode ser. Lembro da polvorosa em um domingo quando previu o resultado do jogo do Maracanã. Do dia que previu a morte do astro pop, da alta do dólar ou da queda da bolsa. Tudo prevê Uoston. Nem mesmo Dona Sebastiana ousa contrariar-lhe a palavra.
Todo o bairro o respeita, toda cevada o alimenta a Uoston só lhe pesa a vida. Triste vida de bebum quando só lhe é preciosa a vida sob a sombra da marquise de um bar qualquer. De minha varanda em tarde ensolarada pela última vez vi passar pela rua o Oráculo de Quintino. Dizem uns e comentam outros que caminhou lento ao seu assento preferido. Bebeu por horas enquanto torcia diante da TV pelo time escolhido, foi então que aconteceu. O céu enegreceu e trovejou, lâmpadas piscavam o vento soprava. Uoston com rosto sereno, mãos postas sobre a mesa, olhar fixo proclamou:
_Campeão será o Prudente, na segunda divisão o Mengão. Por fim disse ele, Dilma presidente.
Nunca mais se vendeu cevada na birosca, Dona Sebastiana fechou o bar, o português foi embora. O futebol perdeu o gosto, tristeza em polvorosa.
Nunca mais vi Uoston, tenho medo da cevada.
Sempre que vejo um bebum passo de largo, vai que profetisa o danado.
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
Máquina de Camisinha
Uma questão de saúde pública ou comportamento?
A reportagem exibida no último domingo pelo Fantástico trouxe à tona a polêmica gerada pelas “máquinas de camisinha” disponibilizadas em escolas públicas. Segundo a doutora em antropologia Micheline de Oliveira, em entrevista ao programa, jovens entre 13 e 19 anos possuem vida sexualmente ativa. O que demandaria a urgência em programas de prevenção de DST/AIDS. Segundo o ministério da saúde, autor da iniciativa, serão 40 as máquinas oferecidas até o fim de 2010.
Aqueles que são contra a iniciativa argumentam que a escola não é ambiente para a máquina. Lembram que os postos de saúde já oferecem camisinhas de forma gratuita. Já a opinião de jovens e adolescentes ouvidos pelo Fantástico se mostra dividida.
Programas de conscientização e prevenção a DSTs não são novidade. A pergunta que persiste sem uma resposta simples é: Porque estes programas não conseguem gerar efeitos entre os jovens desta faixa etária? Hoje, doenças de outros séculos como a sífilis e gonorréia crescem assustadoramente. Segundo a OMS (2009) são cerca de 12 milhões de casos por ano no mundo, destes, mais de 3 milhões na América Latina. Segundo o MS, só em 2009 foram registrados cerca de 6 mil casos de sífilis congênita no Brasil, um número crescente entre meninas que engravidam antes dos 14 anos de idade.
Para muitos, a “máquina de camisinhas” pode incentivar o diálogo familiar sobre sexo, no entanto, a tônica deste século tem sido a dificuldade de muitos em transformar informação em reflexão, ou seja, pode-se informar sem que isso signifique algo para quem a recebe. Sem a reflexão necessária a informação não se transformará em comportamento. Outra característica deste tempo é o comprometimento de jovens, entre 18 a 24 anos, com a diversão. Para muitos deles assuntos considerados não divertidos podem ser colocados de lado.
Será que as escolas públicas do Rio de Janeiro, cuja avaliação do IDEB é uma das piores do país estão, de fato, preparadas para lidar com estes jovens? Será que o nosso já depredado magistério, possui condições de lidar com as demandas que estas máquinas irão causar ao corpo docente?
Apesar de setores da sociedade clamarem pela liberalização da sexualidade, estes jovens ainda se perguntam quem são. Qual a sua identidade e por fim quem serão. Em suas mentes há mais perguntas do que respostas, Ser Emo, Hétero, Bi ou Homo? Lady Gaga é menino ou menina? São muitas as perguntas para uma única máquina responder. Ainda pressupões-se que um adolescente responsabilize-se por seu sexo, mas não por seus crimes, um legítimo paradoxo tupiniquim.
Antes da máquina aparecer na escola, precisamos fazer a escola aparecer a estes jovens. Antes de empurrar liberalidade sexual a eles precisamos dar condições de descobrirem quem são como indivíduos e quem são na coletividade. Antes de esperar que se comportem de uma forma precisamos refletir com eles sobre comportamento.
Confiaremos essa tarefa a uma máquina ou a nós mesmos?
A reportagem exibida no último domingo pelo Fantástico trouxe à tona a polêmica gerada pelas “máquinas de camisinha” disponibilizadas em escolas públicas. Segundo a doutora em antropologia Micheline de Oliveira, em entrevista ao programa, jovens entre 13 e 19 anos possuem vida sexualmente ativa. O que demandaria a urgência em programas de prevenção de DST/AIDS. Segundo o ministério da saúde, autor da iniciativa, serão 40 as máquinas oferecidas até o fim de 2010.
Aqueles que são contra a iniciativa argumentam que a escola não é ambiente para a máquina. Lembram que os postos de saúde já oferecem camisinhas de forma gratuita. Já a opinião de jovens e adolescentes ouvidos pelo Fantástico se mostra dividida.
Programas de conscientização e prevenção a DSTs não são novidade. A pergunta que persiste sem uma resposta simples é: Porque estes programas não conseguem gerar efeitos entre os jovens desta faixa etária? Hoje, doenças de outros séculos como a sífilis e gonorréia crescem assustadoramente. Segundo a OMS (2009) são cerca de 12 milhões de casos por ano no mundo, destes, mais de 3 milhões na América Latina. Segundo o MS, só em 2009 foram registrados cerca de 6 mil casos de sífilis congênita no Brasil, um número crescente entre meninas que engravidam antes dos 14 anos de idade.
Para muitos, a “máquina de camisinhas” pode incentivar o diálogo familiar sobre sexo, no entanto, a tônica deste século tem sido a dificuldade de muitos em transformar informação em reflexão, ou seja, pode-se informar sem que isso signifique algo para quem a recebe. Sem a reflexão necessária a informação não se transformará em comportamento. Outra característica deste tempo é o comprometimento de jovens, entre 18 a 24 anos, com a diversão. Para muitos deles assuntos considerados não divertidos podem ser colocados de lado.
Será que as escolas públicas do Rio de Janeiro, cuja avaliação do IDEB é uma das piores do país estão, de fato, preparadas para lidar com estes jovens? Será que o nosso já depredado magistério, possui condições de lidar com as demandas que estas máquinas irão causar ao corpo docente?
Apesar de setores da sociedade clamarem pela liberalização da sexualidade, estes jovens ainda se perguntam quem são. Qual a sua identidade e por fim quem serão. Em suas mentes há mais perguntas do que respostas, Ser Emo, Hétero, Bi ou Homo? Lady Gaga é menino ou menina? São muitas as perguntas para uma única máquina responder. Ainda pressupões-se que um adolescente responsabilize-se por seu sexo, mas não por seus crimes, um legítimo paradoxo tupiniquim.
Antes da máquina aparecer na escola, precisamos fazer a escola aparecer a estes jovens. Antes de empurrar liberalidade sexual a eles precisamos dar condições de descobrirem quem são como indivíduos e quem são na coletividade. Antes de esperar que se comportem de uma forma precisamos refletir com eles sobre comportamento.
Confiaremos essa tarefa a uma máquina ou a nós mesmos?
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